O Real Madrid vive uma das semanas mais turbulentas de sua história recente, e Florentino Pérez decidiu ir às câmeras. Em uma coletiva de imprensa convocada às pressas nesta terça-feira (12), o presidente do clube espanhol prometeu não renunciar, convocou eleições formais — nas quais ele mesmo pretende concorrer à frente da atual diretoria — e protagonizou um verdadeiro show, alternando defesa institucional, ataques à imprensa e uma visão bastante particular sobre a briga no vestiário entre Aurélien Tchouaméni e Fede Valverde.
O episódio entre os dois jogadores chocou o mundo do futebol: o uruguaio precisou ser hospitalizado sangrando, e ambos foram punidos pelo clube. Para Florentino, porém, o caso foi relativizado com naturalidade. "Não há um ano dos 26 que estou no Real Madrid em que dois jogadores não tenham brigado. Você leva uma pancada, depois devolve, e ficam amigos como antes", disse o dirigente, repetindo o discurso do técnico Álvaro Arbeloa, que já havia minimizado o episódio.
O tom da coletiva, no entanto, foi dominado pelo confronto com a mídia. Florentino atacou veículos e jornalistas pelo nome, anunciou o cancelamento de sua assinatura do jornal ABC e prometeu entregar um dossiê de 500 páginas à UEFA sobre o Caso Negreira. "Quero acabar com essa corrente antimadridista que se instalou no jornalismo", disparou.
Sobre as eleições, foi direto: "Lamento informar que não vou renunciar. Vou me candidatar novamente para defender os interesses dos sócios do Real Madrid." Qualquer tema esportivo, sobre novo treinador ou reforços, foi bloqueado. A coletiva foi mais um palanque político do que uma análise de futebol, retratando um presidente na defensiva, mas com total disposição para a briga.
