A arbitragem brasileira está prestes a dar o seu maior salto tecnológico dos últimos anos. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou, na manhã desta terça-feira, que o impedimento semiautomático fará sua estreia oficial no Campeonato Brasileiro já no próximo fim de semana, durante os jogos da 20ª rodada da competição.
O anúncio foi feito durante uma reunião com representantes dos clubes na sede da entidade, no Rio de Janeiro. A novidade chega para marcar o início do returno da Série A e promete acabar com as longas paralisações para o traçado das linhas do VAR.
Oito meses de preparação e estádios 100% prontos
O projeto de implementação levou cerca de oito meses. Inicialmente, a expectativa era de que a tecnologia estivesse disponível desde a primeira rodada do Brasileirão, mas a CBF optou por adiar o lançamento para realizar vistorias técnicas rigorosas em todos os estádios.
Nas últimas semanas, a ferramenta passou por uma bateria de testes "silenciosos" em jogos das categorias de base e em algumas partidas da Série A. Agora, todos os estádios da primeira divisão estão aptos. O Palmeiras, inclusive, arcou com a contratação do serviço para a Arena Barueri, palco alternativo do clube quando o Nubank Parque recebe shows.
Como funciona o impedimento semiautomático?
A operação do sistema no Brasil ficará a cargo da Genius, mesma empresa que fornece a tecnologia para grandes ligas do mundo, como a Premier League (Inglaterra), Liga MX (México) e o Campeonato Belga. Atualmente, o sistema opera em 65 estádios mundialmente.
Para o torcedor entender de forma simples, a tecnologia SAOT (sigla em inglês para Semi-Automated Offside Technology) funcionará da seguinte maneira:
- Captação de ponta: Serão instalados cerca de 30 aparelhos de telefone celular estrategicamente posicionados no estádio;
- Precisão absurda: Eles gravam a partida em resolução 4K a 100 frames por segundo;
- Campo virtual: O sistema cruza essas imagens e cria, instantaneamente, uma réplica digital e em 3D do posicionamento dos jogadores e da bola;
- Mais agilidade: Segundo os dados das ligas estrangeiras, o uso da ferramenta diminui o tempo de checagem em 33%.
E se a tecnologia der problema?
A CBF também detalhou um protocolo de segurança. Se o sistema semiautomático apresentar qualquer falha técnica (como queda de internet ou de energia), os técnicos, capitães dos times e os torcedores no estádio serão avisados imediatamente.
Neste cenário, a arbitragem não ficará às cegas: o protocolo volta para a estaca zero, utilizando as tradicionais linhas traçadas manualmente pelo VAR, exatamente como ocorreu até a 19ª rodada.
