Jô revela dificuldades após aposentadoria e desabafa sobre prisões por pensão e problemas com álcool

Ex-atacante falou em entrevista ao "Abre Aspas", do Ge, sobre os problemas enfrentados antes e após a aposentadoria dos gramados.
Jô durante treino do Atlético-MG (Bruno Cantini/Atlético)

Aos 39 anos, João Alves de Assis Silva, o , vive uma fase de adaptação após colocar ponto final em uma carreira de mais de duas décadas no futebol. Ex-jogador de Corinthians, Atlético-MG, Internacional, Manchester City e Seleção Brasileira, o atacante, em entrevista ao "Abre Aspas", do Ge, admite que o período após a aposentadoria exige uma nova rotina e uma mudança na forma de lidar com a vida financeira.

Sem os altos salários que recebia quando estava em atividade, Jô passou a administrar o patrimônio construído durante a carreira e a buscar alternativas para gerar renda. O ex-atacante reconhece que precisou reduzir o padrão de vida e entender como organizar as finanças para o período pós-futebol.

"Não é quebrar, mas você diminui seu padrão de vida, não tem como. Um exemplo, eu ganhava R$ 300 mil, hoje sou um jogador aposentado, não ganho mais R$ 300 mil. Tenho meus investimentos, as minhas coisas. Eu sei da minha condição de vida, sei da minha capacidade, agora é administrar o pós-carreira, para ver qual o caminho que vou seguir e começar a ajustar as coisas", explicou.

Jô também relaciona a mudança financeira ao histórico de problemas envolvendo o pagamento de pensão alimentícia. O ex-jogador foi preso cinco vezes pelo não pagamento da obrigação, sendo a última ocorrência em junho deste ano. Ele é pai de oito filhos, de cinco relacionamentos diferentes.

Segundo o ex-atacante, a redução dos ganhos após a aposentadoria nem sempre é compreendida pelas mães de seus filhos. Jô citou uma declaração de Ronaldo Fenômeno, segundo a qual apenas 1% dos jogadores de futebol do mundo consegue manter um padrão financeiro elevado depois de encerrar a carreira.

"Fui um atleta bem-sucedido na minha carreira. Quando ela acaba, financeiramente você muda de patamar, não tem como manter o nível. Ouvi uma entrevista do Ronaldo Fenômeno dizendo que apenas 1% dos jogadores de futebol no mundo consegue manter um padrão financeiro alto após a carreira. Teve essa queda. Aí entra a questão do entendimento das outras pessoas, que são as mães. Elas dizem: "ah, mas você jogou no City, no CSKA...". Tudo bem, joguei, só que agora não jogo mais. Tenho outro padrão de vida, tenho que diminuir, estou com 39 anos."

O ex-jogador também criticou a forma como as redes sociais tratam casos como o dele. Para Jô, a exposição pública costuma vir acompanhada de julgamentos sem que as pessoas conheçam todos os detalhes da situação.

"A rede social nada mais é do que um tribunal, com um monte de juízes te julgando o tempo inteiro sem te conhecer, sem saber a situação ou a história real. Estou contando aqui uma parte para que as pessoas comecem a entender, mas elas não sabem realmente qual é a realidade. Não é uma situação confortável, mas, graças a Deus, consigo lidar com isso melhor do que imaginava. Hoje vou administrando para que esse tipo de problema não aconteça mais."

Início precoce e uma carreira vitoriosa

Jô começou a trajetória profissional muito cedo. Aos 16 anos, fez sua estreia pelo time principal do Corinthians. Pouco depois, ao receber o primeiro grande contrato, decidiu comprar um carro importado antes mesmo de adquirir a própria casa.

Na época, ainda sem carteira de habilitação, fazia questão de circular com o veículo para mostrar que o garoto criado em Sapopemba, na Zona Leste de São Paulo, havia conseguido mudar de vida por meio do futebol.

Dentro de campo, os resultados confirmaram o sucesso. Jô foi bicampeão brasileiro pelo Corinthians, conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores pelo Atlético-MG e também levantou a taça da Copa das Confederações com o Brasil.

A trajetória vitoriosa, porém, conviveu com dificuldades fora dos gramados, especialmente relacionadas ao consumo de álcool. Jô reconhece que, durante determinado período, teve dificuldades para controlar a bebida, embora não considere que consumisse álcool diariamente.

"Acho a palavra 'alcoólatra' muito forte, o caso era mais de que não tinha controle. Não era todos os dias (que bebia), mas, quando acontecia, eu não tinha freio: 'não, espera aí, já deu, vamos parar aqui'. Talvez os profissionais de saúde digam: 'mas isso aí é alcoolismo'. No meu entendimento como ser humano, acho que não era. Hoje, graças a Deus, tenho esse controle, mas foi bem complicado."

Passagem pelo Internacional

De acordo com Jô, o período mais complicado da carreira em relação ao álcool aconteceu durante sua passagem pelo Internacional, entre 2011 e 2012. Pelo clube gaúcho, disputou 36 partidas e marcou seis gols.

Naquela época, o comportamento chegou a interferir diretamente na rotina profissional. Jô contou que chegou a perder uma viagem da equipe depois de consumir bebidas alcoólicas até poucas horas antes do horário previsto para a apresentação do elenco.

O atacante também revelou que as dificuldades dentro de campo acabavam potencializando os problemas fora dele.

"Simplesmente por não jogar, eu descontava fora de campo, e isso me atrapalhava lá dentro. Costumo dizer que houve um desequilíbrio. Quem me conhece sabe que sou um cara tranquilo, muito boa-praça, mas, naquele momento, comecei a brigar com treinador, presidente, diretor... Até o Fernandão, que Deus o tenha, que era um cara que me abraçou quando cheguei. No decorrer das coisas comecei a culpá-lo também. Enfim, foi um período difícil", finalizou.