Embora as bases do jogo remontem ao ano 200 a.C., durante a dinastia Han na China, a invenção moderna do futebol costuma ser atribuída à Inglaterra do século XIX. Foi nesse período que o esporte começou a ganhar forma e se transformou no futebol que conhecemos e amamos hoje. Mas isso deixa centenas de anos de diferença! Então, como as táticas do futebol evoluíram ao longo dos anos, do passado ao presente? Quão diferentes são as formações dos treinadores atuais em comparação com as de seus predecessores do século XIX? Vamos voltar no tempo e descobrir!
História e origens do futebol
No final do século XIX e início do século XX, as formações eram bastante simples. O esporte ainda estava em seus primeiros passos e muitas das regras às quais estamos acostumados no futebol moderno sequer haviam sido inventadas.
Essa primeira fase do futebol era muito mais voltada ao jogo ofensivo do que à estabilidade defensiva. Por isso, normalmente havia apenas dois defensores “puros” entre os onze titulares — daí vem o termo lateral. Existiam cinco atacantes para pressionar o gol adversário e três jogadores entre defesa e ataque chamados “meios”. Hoje já não utilizamos esse termo da mesma forma.
A formação básica empregada pela maioria das equipes nos primórdios era o 2-3-5. Parece completamente distante da maneira como os times jogam atualmente!
Você sabia que o pênalti só foi introduzido em 1902? Antes disso, ele podia ser cobrado de qualquer ponto da linha das 12 jardas.
Você sabia que a FIFA foi criada apenas em 1904?
Você sabia que a regra atual do impedimento só foi introduzida em 1925?
Você sabia que o recuo para o goleiro só foi proibido em 1992? Antes disso, os defensores podiam recuar a bola para o goleiro, que podia pegá-la com as mãos.
Formações históricas do futebol
A formação WM
Mesmo nos primeiros tempos, as equipes alteravam suas formações durante as partidas para explorar as fraquezas dos adversários e se proteger de seus pontos fortes. No entanto, a consolidação moderna das formações começou na década de 1920 graças a Herbert Chapman.
Treinador do Arsenal na década de 1920, Chapman foi o primeiro a empregar a formação WM. Como o nome sugere, ela criava um formato de “W” no ataque e de “M” na defesa. Chapman geralmente escalava três defensores alinhados na retaguarda, com dois médios pelos lados (formando o “M”). No ataque, utilizava cinco jogadores: dois atacantes interiores, dois pontas e um centroavante mais avançado (formando o “W”).
A formação WM era mais fluida ofensivamente e mais equilibrada defensivamente do que os sistemas anteriores. Os treinadores começaram, então, a desenvolver estratégias mais variadas e sofisticadas.
Catenaccio – A sólida defesa italiana
Na década de 1960, surgiu na Itália o catenaccio, que significa “trinco” ou “ferrolho”. O sistema era essencialmente projetado para impedir o adversário de marcar a qualquer custo.
Costuma-se atribuir sua origem a Karl Rappan, treinador austríaco que comandou a Suíça, mas foi Helenio Herrera quem o popularizou na Inter de Milão, conquistando três títulos da Serie A entre 1962 e 1966 com esse sistema. Extremamente rígido, o catenaccio cumpria sua função — e ajuda a explicar por que o futebol italiano ainda valoriza tanto a solidez defensiva.
Futebol Total – A revolução holandesa dos anos 70
Na década de 1970, surgiu nos Países Baixos o “Futebol Total”. A ideia era simples, mas difícil de executar: qualquer jogador de linha poderia assumir a posição de outro em campo.
Se um lateral avançasse ao ataque, outro jogador cobriria seu espaço para manter a estrutura tática. Assim, a formação era preservada independentemente da movimentação.
O conceito é geralmente atribuído a Vic Buckingham e Rinus Michels, no Ajax e na seleção holandesa, embora alguns defendam que suas raízes estejam no “Wunderteam” austríaco dos anos 1930 ou na Hungria dos anos 1950.
O Futebol Total exigia dez jogadores versáteis, capazes de se adaptar a qualquer posição — tornando extremamente difícil a marcação adversária.
A formação 4-4-2
Possivelmente a formação mais famosa da história. Inspirada no 4-2-4, utilizado pelo Brasil para conquistar a Copa do Mundo de 1958 e novamente em 1970 com Pelé, sob comando de Mário Zagallo.
O treinador soviético Viktor Maslov adaptou o 4-2-4, recuando os pontas para o meio-campo, transformando-o em 4-4-2. A ideia era dominar o meio-campo e controlar o jogo — estratégia que lhe rendeu três títulos consecutivos da liga soviética com o Dynamo Kyiv.
Sir Alex Ferguson – Os anos no Manchester United
Durante seus 27 anos no Manchester United, Ferguson utilizou várias formações, mas o 4-4-2 foi uma de suas favoritas.
Na final da Champions League de 2008 contra o Chelsea, escalou Van der Sar no gol; Evra, Vidic, Ferdinand e Brown na defesa; Carrick e Scholes no meio; Cristiano Ronaldo pela esquerda, Hargreaves pela direita; Rooney e Tevez no ataque.
O diferencial estava na flexibilidade: laterais avançavam para dar amplitude, pontas cortavam para dentro e os atacantes alternavam movimentações. Defensivamente, o time atuava em bloco médio-baixo e explorava contra-ataques com maestria.
Diego Simeone – O muro do Atlético de Madrid
Simeone adotou uma versão compacta do 4-4-2, com bloco baixo e organização defensiva quase impenetrável. Ao recuperar a bola, explorava transições rápidas pelos lados. Assim conquistou títulos de La Liga enfrentando Barcelona e Real Madrid.
Tiki-Taka
O tiki-taka dominou o futebol europeu por volta de 2010, especialmente com a seleção espanhola e o Barcelona.
A Espanha venceu a Eurocopa (2008 e 2012) e a Copa do Mundo (2010) com esse estilo, baseado em posse de bola, passes curtos e movimentação constante.
O Barcelona, com Messi, Iniesta e Xavi, conquistou três Champions League e quatro La Ligas entre 2005 e 2011 utilizando essa filosofia.
Gegenpressing – O estilo de Jürgen Klopp
O gegenpressing é um estilo intenso de pressão alta para recuperar a bola imediatamente após perdê-la.
Jürgen Klopp popularizou o sistema no Borussia Dortmund e no Liverpool. Jogadores como Salah, Mané e Firmino pressionavam agressivamente no campo adversário para retomar a posse e atacar rapidamente.
Alas ofensivos
Os laterais evoluíram muito desde os tempos de Gary Neville e Patrice Evra. Hoje, são peças fundamentais no ataque.
No Tottenham de Mauricio Pochettino, Danny Rose e Kyle Walker atuavam quase como alas. No Liverpool de Klopp, Robertson e Alexander-Arnold lideraram rankings de assistências atuando dessa forma.
Pep Guardiola – Laterais invertidos
Pep Guardiola trouxe uma das inovações mais recentes: laterais que entram pelo meio quando o time tem a posse.
No Manchester City, isso libera jogadores ofensivos para ocupar o último terço do campo. Ange Postecoglou também aplicou ideias semelhantes no Celtic e no Tottenham.
O amanhecer da análise de dados
Com o futebol moderno cada vez mais orientado por análise de dados, novas inovações táticas certamente surgirão nos próximos anos. À medida que a tecnologia amplia os limites do desempenho físico e técnico, o que será que os treinadores vão inventar a seguir?
