Ao longo dos anos 2000, Wagner Ribeiro se consolidou como um dos empresários mais influentes do futebol brasileiro. Responsável por gerenciar a carreira de jogadores como Robinho, Kaká e, posteriormente, Neymar, ele se tornou presença constante em programas de TV, rádios e no noticiário esportivo.
Em entrevista ao Abre Aspas, o agente revelou que, em algumas ocasiões, utilizava a imprensa como estratégia para valorizar seus atletas no mercado. Segundo ele, divulgar um suposto interesse de clubes como o Real Madrid ajudava a despertar a atenção de outras equipes europeias e fortalecia as negociações por renovações de contrato no Brasil.
Após uma condenação por sonegação e um processo de divórcio, Wagner Ribeiro perdeu espaço no mercado de agenciamento e viu sua carteira de clientes diminuir na última década. Atualmente, aos 64 anos, trabalha principalmente com jovens jogadores, mas mantém proximidade com Neymar e sua família, a quem faz elogios e defende publicamente.
Durante mais de duas horas de conversa com o Ge, o empresário relembrou bastidores do mercado da bola, falou sobre disputas entre agentes, revelou estratégias utilizadas em negociações, detalhou algumas das principais transferências que conduziu e analisou as transformações do setor ao longo de quase 30 anos de carreira.
Na avaliação de Wagner Ribeiro, o cenário atual do mercado de empresários no futebol mudou significativamente.
"Hoje o mercado está promíscuo. Como? Não gostaria de citar nomes, porque eu tenho amizades com todos, somos colegas, companheiros. Comigo eles respeitam. Até porque eu não quero tomar jogador de ninguém. Se chega um jogador que trabalha com outro agente, se me procurar, pai ou mãe, como já me procuraram, eu falo: você está saindo dele por quê? 'Ah, porque não está me ajudando'. Então traga o seu agente junto, eu faço uma parceria com ele e nós vamos juntos. É justo. Isso eu tenho com vários."
"Agora, eu já estou acompanhando de pessoas que pagam valores altos, um milhão, um milhão e meio, para comprar a procuração. Na verdade, você não compra a procuração, você compra a representação, para representar tal atleta. Isso é péssimo, porque eu acho que, na maioria das vezes, é uma ingratidão muito grande da família e do menino. O menino, coitado, não tem culpa, ele obedece aos pais. Mas o empresário vem e ajuda quando ele tem dez anos, paga ônibus, paga o lanche, ajuda a família. Muitas vezes dá chuteira, porque ainda não tem o patrocínio da marca. E chega um determinado momento, o garoto sobe, vem alguém e pá, (fala) para o pai: "te dou R$ 500 mil". O pai aceita e desliga de quem ajudou. Porque um garoto até 16 anos, ele não pode ser registrado, ele não é de ninguém. E o que você já gastou com o jogador lá atrás?, completou.
