Guia completo da Copa Libertadores: passado e presente

A Copa Libertadores 2025 é a 66ª edição com 47 equipes da América do Sul, e desde 2019 sua final é disputada em jogo único em sede neutra. As equipes com mais títulos são Independiente (7), Boca Juniors (6) e Peñarol (5).
Bola oficial da Copa Libertadores em exibição no Allianz Parque.
A bola oficial da Copa Libertadores em exibição antes da partida de volta das oitavas de final entre Palmeiras e Universitario no Allianz Parque, Brasil. (Crédito da imagem: Eduardo Carmim / Photo Premium / SPP / TT)

A Copa Libertadores 2025 já começou e os clubes de toda a América do Sul sonham em se tornar campeões do continente. Esta é a 66ª edição da histórica competição da CONMEBOL, e 47 equipes das 10 nações da América do Sul competem por uma vaga.

Elaboramos esta compilação da Copa Libertadores na qual analisamos a história do torneio.

História da Copa Libertadores

A Copa Libertadores cresceu em tamanho e importância nos últimos anos, e é cada vez mais comum que atraia a atenção de torcedores em todo o mundo.

Quando a Libertadores começou, em 1960, era um torneio muito menor. Naquele ano, apenas sete equipes participaram e a equipe uruguaia Peñarol ergueu o troféu após vencer o Olimpia do Paraguai na final.

Desde então, 25 equipes diferentes conquistaram o prêmio, e várias o conseguiram em múltiplas ocasiões, como os gigantes argentinos Boca Juniors e River Plate e as potências brasileiras Flamengo e Palmeiras. O Colo-Colo, do Chile, está entre os que venceram o torneio uma vez.

Inumeráveis estrelas de classe mundial honraram a Libertadores, desde Pelé e Garrincha na década de 1960 até Neymar e Vinícius Júnior na década de 2010. Além do contingente brasileiro, jogadores como Gabriel Batistuta e Angel Di María (Argentina), Arturo Vidal e Elías Figueroa (Chile) também jogaram na principal competição da América do Sul.

Por que a final da Libertadores não é mais em ida e volta?

De 1960 até 2018, a final da Copa Libertadores foi um duelo de ida e volta, com ambos os finalistas jogando uma partida em casa.

A razão para este formato deveu-se, em grande parte, à dificuldade e ao custo de viajar pela América do Sul. Muito poucos torcedores podiam viajar para outro país para ver um jogo, por isso jogar uma partida em casa garantia a oportunidade de ver pelo menos parte da final.

Nas primeiras décadas da Libertadores, várias finais, de fato, tiveram três jogos. Isso ocorre porque não se utilizava o saldo de gols (placar global). Com efeito, nos tempos modernos, o resultado de um duelo de ida e volta é determinado habitualmente somando as pontuações de ambos os encontros.

Mas nos primórdios da Libertadores, uma vitória de qualquer tipo concedia a uma equipe dois pontos, enquanto um empate valia um ponto e uma derrota não somava pontos. Ao final da partida de volta, somavam-se os pontos e, se as equipes estivessem empatadas, realizava-se um jogo de desempate em um estádio neutro para decidir o vencedor geral.

Por exemplo, em 1976 o Cruzeiro venceu o River Plate por 4-1 no jogo de ida, e o River Plate ganhou o jogo de volta por 2-1. O Cruzeiro triunfou por 5-3 no global, mas segundo o sistema da CONMEBOL, o resultado foi um empate porque ambas as equipes venceram um jogo cada. O Cruzeiro ganhou o jogo de desempate por 3-2 no Estádio Nacional de Santiago, Chile.

A partir de 1989, se o placar estivesse empatado ao final do jogo de volta, o vencedor era determinado por meio de prorrogação e disputa de pênaltis.

Rumo à edição de 2019, a CONMEBOL decidiu mudar para uma final em jogo único, uma decisão que agradou à maioria dos torcedores.

O órgão dirigente do futebol sul-americano considerou que poderia promover um jogo único de maneira mais eficaz porque tornaria o evento mais significativo. Também havia que se considerar uma questão de equidade.

“Analisando as estatísticas das finais da Libertadores, a equipe que joga em casa no jogo de volta vence sete vezes em dez”, afirmou o presidente da CONMEBOL, Alejandro Domínguez. “A justiça esportiva exige uma final em um só jogo em um campo neutro”.

Quais equipes têm mais títulos da Copa Libertadores?

EquipePaísNúmero de títulos
IndependienteArgentina7
Boca JuniorsArgentina6
PeñarolUruguai5
River PlateArgentina4
EstudiantesArgentina4
FlamengoBrasil4
SantosBrasil3
NacionalUruguai3
PalmeirasBrasil3
GrêmioBrasil3
OlimpiaParaguai3
São PauloBrasil3

Maiores artilheiros da Libertadores nos últimos anos

AnoJogador(es)Equipe e paísNúmero de gols
2013Atlético Mineiro (Brasil)7
2014Julio dos Santos e Nicolás OliveraCerro Porteño (Par) e Defensor (Uru)5
2015Gustavo BouRacing Club (Argentina)8
2016Jonathan CalleriSão Paulo (Brasil)9
2017José SandLanús (Argentina)9
2018Miguel Borja e Wilson MoreloPalmeiras (Bra) e Santa Fe (Col)9
2019Gabriel BarbosaFlamengo (Brasil)9
2020Fidel MartínezBarcelona de Guayaquil (Equador)*8
2021Gabriel BarbosaFlamengo (Brasil)11
2022PedroFlamengo (Brasil)12
2023Germán CanoFluminense (Brasil)13
2024PaulinhoAtlético Mineiro (Brasil)7
2025 (SET)Adrián Martínez e Flaco LopezRacing Club (Arg) e Palmeiras (Bra)7

*Nota: O texto original cita Santa Fe (Colômbia) para Fidel Martínez em 2020, embora ele tenha atuado pelo Barcelona de Guayaquil naquela edição.

Qual final da Copa Libertadores teve mais gols?

A final da Copa Libertadores de jogo único com maior pontuação foi a de 2024. O Botafogo venceu o Atlético Mineiro por 3-1 no Estádio Monumental de Guayaquil, Equador.

A final da Copa Libertadores de ida e volta com mais gols foi a de 2008. A LDU Quito, do Equador, venceu a equipe brasileira Fluminense por 4-2 em um emocionante jogo de ida, antes de o Fluminense ganhar por 3-1 no Rio de Janeiro. Após 10 gols em dois jogos, o Quito manteve a calma para vencer por 3-1 nos pênaltis.

Se forem incluídas as finais da Libertadores com desempate e jogos de ida e volta, as finais com maior pontuação de todos os tempos foram as de 1966 e 1976, com 13 gols no total.

Na primeira dessas temporadas, o Peñarol venceu o River Plate por 4-2 no jogo de desempate, após uma vitória por 2-0 e uma derrota por 3-2. Dez anos depois, o Cruzeiro superou o River por 3-2 no terceiro jogo, após uma vitória por 4-1 e uma derrota por 2-1.

A propósito, na história da Libertadores apenas uma equipe marcou cinco gols em um único jogo de final. O feito foi alcançado pelo São Paulo, que goleou por 5-1 o clube chileno Universidad Católica na ida da final de 1993, antes de perder o jogo de volta por 2-0.

As histórias das equipes azaradas na história da Libertadores

Aqueles que gostam de futebol interessam-se invariavelmente pelas histórias das equipes menos favorecidas ("underdogs"), e a Copa Libertadores incluiu muitas ao longo dos anos. O melhor exemplo de uma equipe que surpreendeu a todos nesta competição ocorreu em 2004, quando o Once Caldas, um clube da pequena cidade colombiana de Manizales, ficou com o troféu.

O Once liderou seu grupo acima de Unión Atlético Maracaibo, Vélez Sarsfield e Fénix, antes de eliminar o Barcelona nas oitavas de final. Depois surpreenderam a equipe brasileira Santos nas quartas de final, o que precedeu uma surpreendente vitória sobre o São Paulo nas semifinais.

Apesar de suas conquistas anteriores, esperava-se que a aventura do Once terminasse contra o Boca Juniors na final. Em vez disso, a seleção colombiana venceu nos pênaltis após empatar por 0-0 e 1-1.